...após a aula matutina, o garotinho encontra a mãe no portão da escola conversando com a vizinha, ambas pegam nas mãos de seus filhos e juntos voltam para casa.
O garotinho, após a discussão com um amiguinho sobre um caminhão ser betoneira ou caminhão de lixo, volta cabisbaixo - com a sensação de ter perdido a discussão por não ter tanto argumento ao não ser a frase do pai: Um presente! É uma betoneira, caminhão que leva concreto. - apreciando a calçada que era feita de pedras beges e pretas as quais formavam desenhos de andorinhas, ave símbolo da cidade. Ao menos era. E do lado direito, passando rente ao seu ombro, um muro alto e chapiscado que arrepiava o garotinho só de pensar em cair e raspar a cara no muro: _"se raspar, aposto que o olho também fica grudado... deve furar... algo assim..." - pensava.
Um pedaço de isopor apareceu na calçada e rapidamente com a mão livre, o garotinho pega o isopor do chão e começa a esfrega-lo na parede imaginando seu rosto, porém o isopor esfarelado o tira daqueles pensamentos sangrentos e o leva a um mundo branco, coberto por camadas finas de neve que cai em uma densa quantidade...
_Moleque! (ela nunca o chamara de filho, até hoje.) Pára com isso ou vai machucar a mão! E olha a sujeira que você está fazendo!!
O garotinho, dentro do mundo branco de neve e silêncio, não escuta a mãe, apenas "sente" o estalo do tapa da mãe na mão...
_... que sujeira! - são as últimas palavras da mãe que ele entende.
_... Não mãe... era apenas neve de isopor...
E segura o choro até seu quarto onde, para esquecer a dor na mão, volta para o silêncioso mundo branco, com uma camada de neve... manchada de vermelho...
deanmaire f.
16/03/2011 as 22hs (mas poderia ter sido bem antes...)